(Parte 1) As Mentiras que me contaram...
Atualizado: 27 de set.
... ou melhor, as mentiras que eu escutei, ou ainda as Verdades que eu compreendi mal... sobre...
... as Relações Amorosas.
Em criança, muitas das histórias que escutei, li, e vi (em desenho animado, novela ou filme), falavam de "príncipes" e "princesas", e terminavam com a frase "E foram felizes para sempre". E eu acreditei que esse era o curso natural das vidas humanas...
... e, na verdade - hoje tenho-o muito claro dentro de mim - esse É o curso natural das vidas humanas...
Só que eu - e tu, talvez... - foquei-me no desfecho, e ignorei o processo.
E, por isso, desiludi-me muito, no Amor... - em todas as relações que vivi, mas muito especialmente, no casamento.
Criei expectativas sobre a vida de eterna felicidade que queria viver e, quando ela não se mostrou possível (porque a minha visão do mundo era, simplesmente, uma imensa e intrincada teia de ilusões - mentiras!! - que a minha mente entreteceu enquanto eu crescia, na infância e juventude), por mais que fizesse todo o possível para criar as condições para ela, nada parecia, de facto, trazê-la de forma perene, a dor da desilusão foi atroz.
... Mas agora, finalmente, compreendi:
As histórias que me foram contadas - mas não explicadas - em criança, não ilustravam a vida de um casal humano, e sim o processo de resgate do Feminino (o Divino Feminino a beleza, a delicadeza, a intuição, o cuidado, o acolhimento, ou o aspecto receptivo de Deus) - frequentemente preso numa altíssima torre - de ilusões! - criada pela própria mente humana, enquanto presa à realidade que cria, com base nos seus 5 sentidos...
Esse resgate, feito pelo Masculino (o Divino Masculino: o movimento, a força, a destreza, a perseverança, e a devoção - ou seja, o Fogo interior, ou aspecto activo de Deus), mais não é do que o processo de Des-ilusão... - pela procura e pelo esforço, descemos a mente da torre de ilusões criadas pelos sentidos, e trazêmo-la ao que é, verdadeiramente, Real.
Desiludirmo-nos com a realidade é, pois, o melhor que pode acontecer-nos! - A Desilusão abre a nossa percepção e compreensão à Verdade:
A felicidade (ou infelicidade) não está em nada - nem ninguém! - que esteja fora de nós. - Ambas, estão, antes, já em nós, e constituem o nosso karma - a consequência natural das nossas acções, ao longo da Vida (neste ou noutros corpos físicos).
Acções, essas, que nascem de pensamentos (que a nossa mente constrói em função de percepções da realidade sensível)..
Pensamentos que nascem de emoções e sensações.
Emoções e sensações que nascem de histórias do passado (recente, ou remoto - pessoal, familiar e/ou colectivo)...

O mundo (nomeadamente, os outros seres humanos com que nos relacionamos) limita-se a espelhar - ou seja, a manifestar - algo que está latente em nós: a felicidade ou infelicidade que viemos a este corpo viver (para equilibrar o deve e haver kármico, por um lado, e para podermos Despertar da Grande Ilusão, por outro).
Cabe-nos a nós mudar o que está dentro, para que o que vem de fora possa mudar também...
Como?...
... Bem, isso é tema para uma conversa daquelas!...- Tentarei resumir...
Passo 1 - Aceitar por inteiro o que É.
Ou seja, receber e acolher o que a vida traz - seja o que for - e permitir-se sentir, por inteiro, a dor e a infelicidade (ou o prazer e a felicidade) que são espoletados por cada evento ou interaçcção humana. - As emoções e sensações são o que há de mais natural e mais humano em nós. Portanto, permitamo-nos, simplesmente, ser humanos! - Foi para isso que viémos a este corpo biológico...
Passo 2 - Permitir que a emoção / sensação se esgote
Ou seja, sentir enquanto houver algo para sentir - nem mais, nem menos!... - sem se permitir nem atrofiar a sensação / emoção espoletada, procurando abreviá-la (fechando o coração, e bloqueando a capacidade de sentir), nem acrescentar-lhe nada (por vezes, "fazemos filmes", acrescentando muitos pontos à sensação ou emoção inicial... - por exemplo, se nos sentimos rejeitados por uma pessoa, começamos a pensar "ninguém gosta de mim"...)
Passo 3 - Observar a sensação / emoção
Ou seja, uma vez esgotada a emoção / sensação, trazer a própria Consciência do sentir, para o perceber e para o compreender, recordando que o fora manifesta / espelha o dentro: «isto que me aconteceu, é o que eu tenho dentro... - e o que eu tenho dentro... é tudo quanto posso mudar!!...»
Passo 4 - Respirar-Se
Ou seja, encher o peito de Ar e o coração de Amor:
1) Ao respirar profunda e conscientemente, por um lado, reduzimos a resposta de stress que as emoções e sensações fortes desencadeiam na nossa biologia e, por outro, trazemos a Consciência ao centro de nós mesmos, ao nosso Ser e ao nosso Estar (no corpo físico).
2) Ao abrir - e encher de Amor - o Coração, permito-me cessar o Julgamento - de mim mesm@, d@ outr@, da Vida e de Deus - e assim, abro espaço para
I) a Compaixão por mim - que (ignorante das consequências a longo prazo das próprias acções) criei para mim este karma, e que, por isso mesmo, ainda não fui capaz de "manifestar" o que, de facto, quero para mim e para a minha experiência na Vida,
II) abraçar-me por inteiro, envolvendo-me em Puro Amor Incondicional - que é o único que traz consigo a Vida Plena, a Alegria, e a felicidade - e
III) a Gratidão ao outro - que apenas manifesta o que eu tenho dentro - pelo seu Serviço à Vida, à minha cura e à minha evolução.
Passo 5 - Observar a Alquimia do Amor
Ou seja, observar o efeito exterior do processo feito no interior (Passos 1 a 4) - a mudança operada pelo cessar do julgamento (bem como do medo, da raiva, da vergonha, da rejeição, e da culpa que dele nascem) e pelo desabrochar do lótus: o Amor Incondicional, experienciado de dentro para fora...



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