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(Parte 2) As Mentiras que me contaram...

Foto do escritor: Patrícia Oliveira
Patrícia Oliveira
25 de set.
3 min de leitura

Atualizado: 27 de set.


... ou melhor, as mentiras que eu contei a mim mensma, ou ainda as Verdades que eu compreendi mal... sobre...


... as Relações Amorosas.


Em criança, muitas das histórias que escutei, li, e vi (em desenho animado, novela e filme), falavam de "príncipes" e "princesas", e terminavam com a frase "E foram felizes para sempre". - E eu acreditei que esse era o curso natural das vidas humanas...


... e, na verdade - hoje tenho-o muito claro dentro de mim - esse É o curso natural das vidas humanas... - Só que não da forma como eu pensava que aconteceria: de fora para dentro...


Entretanto, a vida real mostrou-me algo muito diferente: um marido "ausente" da relação interpessoal, "ausente" das suas responsabilidades como "provedor" ou, ao menos, "contribuidor", "ausente" da fidelidade conjugal (com "negócios por fora"); uma mulher "desiludida", "sofrida", "traída", sobrecarregada de "responsabilidades" (como provedora e como cuidadora - do marido e das filhas), só e infeliz, mas sempre lutadora; e um amor entre duas pessoas que desenhou um sonho de vida em comum, mas que acabou por se tornar um fardo...


Só muito recentemente, percebi que isto que descrevi, foi o que eu vi da minha realidade familiar - e que ela é muito mais abrangente do que a visão simplista duma criança "apaixonada" pela mãe, e totalmente enviesada, no seu "julgamento", pelo Amor incondicional com que era nutrida por ela...


Ao longo de toda uma vida (mais de meio século), aquela visão da criança - nunca discutida com um adulto verdadeiramente consciente - e a utopia da Felicidade conjugal eterna (recebida das estórias que lhe foram "contadas"), foram o alicerce - dual e, portanto, "esquizofrénico" - das tentativas de construir a felicidade nos relacionamentos amorosos e, mais tarde, no casamento...


Entre as mentiras que a minha mente tomou por verdades, moram a ideia de que "o casamento é para sempre", e de que é preciso fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para preservà-lo... moram também o receio da traição e/ou do abandono conjugal, ou a de que um homem insatisfeito "basa" de casa, procurando "fora" o que não tem dentro de casa... - o que levou a uma outra ideia bem convicta: é preciso não desiludir o marido, e ser o que ele espera que eu seja, para obviar que o casamento - e o amor conjugal - sejam destruídos...


... Mora ainda a Grande Mentira: o Amor vem de fora de mim, e por isso, eu preciso do meu marido, e do seu amor por mim, para me sentir amada - e, portanto, para ser feliz.


Estas falácias construídas pela minha mente infantil e juvenil, e alimentadas pela persistência dum ambiente, na idade adulta, que as corroborava como a mais pura das verdades, foi A grande fonte de sofrimento na minha vida... - desilusão atrás de desilusão, cansaços e exaustão sempre somados, foram "desconstruindo" estas falsas verdades, trazendo-me, lentamente, à realidade como ela é: o Amor de que eu preciso é, apenas, o meu.


Só na Autoestima e na Autocompaixão, posso encontrar a felicidade verdadeira - fora de relações de codependência, onde outro(s) determinam, com o seu comportamento e escolhas, como é que eu me sinto: feliz ou infeliz... - e onde me percepciono como vítima dele(s), em vez de co-criadora da minha realidade.


A verdade, é que eu não preciso que me aceitem como sou - apenas que eu aceite quem Eu sou (e as respectivas consequências na realidade imediata).

O amor humano é uma dança, que nos estica e dobra, até percebermos de que somos feitos...
O amor humano é uma dança, que nos estica e dobra, até percebermos de que somos feitos...

Não preciso que concordem comigo - apenas ser coerente com as minhas convicções.

Não preciso de carinho - apenas respeitar-me por inteiro.

Não preciso de companhia - apenas de saber usufruir da minha Presença e da Natureza que me rodeia (seres humanos incluídos).


Esta postura, aparentemente, pode redundar numa imensa solidão... - talvez. De início, pelo menos...


Mas depois, o espaço que se abre em mim, pode acolher - e vai atrair! - outros que, como eu, não "precisam" de Amor, porque já o têm em si... e que, exactamente por isso, são livres de o dar e receber, sem qualquer dependência, mas em absoluta liberdade, Soberania Pessoal e Gratuidade Generosa.


E, nesta postura de não dependência - que não resulta em independência ou individualismo, mas em Autonomia - é que a co-criação da minha realidade (que parte sempre do que Eu Sou) passa daquilo que eu temo, tenho aversão / raiva, vergonha, ou culpa, para aquilo que eu quero na minha vida, que sei que mereço e que sou Grata por viver.



 
 
 

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